CINEMA NEGRO – sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 2)

3. A quem interessa um cinema negro? O cinema é, sem sombra de dúvidas, um tipo de saber social. Ao ser tratado pela sociologia como objeto de estudo, é necessário que antes ele seja localizado, contextualizado e discutido, a partir da sua elaboração. Assim como qualquer outra forma de conhecimento. Inclusive por suas características maisContinuar lendo “CINEMA NEGRO – sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 2)”

CINEMA NEGRO – Sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 1)

1. Apresentação « São cada vez mais numerosos os filmes que trazem a sua história (de origem africana) para o ecrã. Todos esses realizadores transcendem a noção de estado-nação e os constrangimentos da etnicidade e das suas particularidades. Criam um espaço de diálogo e de definição de uma identidade negra híbrida.» (DIAKHATÉ, 2011: 122). Pensando nas formasContinuar lendo “CINEMA NEGRO – Sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 1)”

Faces e Fases de Zanele Muholi (1)

Puleng Mahlati, Embekweni, Paarl, 2009. Foto de Zanele Muholi  © Michael Stevenson Gallery ( Zanele Muholi nasceu na África do Sul em 1972. Ativista lésbica, a artista ou ativista visual (como prefere se autodenominar) é uma das principais referências do movimento LGBT em seu país ao retratar o que ela mesma chama de  sexualidade queer negraContinuar lendo “Faces e Fases de Zanele Muholi (1)”

Por um cinema africano no feminino (III): “Um foco sobre as Mulheres Burkinabês no Cinema”*

Dando sequência às publicações que visam divulgar a produção e a participação de mulheres africanas no cinema, o FICINE traz este post escrito pela diretora e pesquisadora Beti Ellerson. O texto foi publicado originalmente em African Women in Cinema Blog, um espaço criado para a discussão de diversos assuntos relacionados à participação das mulheres africanasContinuar lendo “Por um cinema africano no feminino (III): “Um foco sobre as Mulheres Burkinabês no Cinema”*”

Vozes femininas negras no curta moçambicano “Phatyma” (2010)*

* Artigo escrito em parceria com Edileuza Penha de Souza e Ceiça Ferreira Sou forte, sou guerreira, Tenho nas veias sangue de ancestrais.Levo a vida num ritmo de poema-canção,Mesmo que haja versos assimétricos,Mesmo que rabisquem, às vezes,A poesia do meu ser,Mesmo assim, tenho este mantra em meu coração:“Nunca me verás caída ao chão”. Trecho do poemaContinuar lendo “Vozes femininas negras no curta moçambicano “Phatyma” (2010)*”

Rasgando a tela, quebrando a corrente

“O cinema é uma AR-15e nós negros brasileiros sabemos atirar”, afirmava Zózimo Bulbul, que destaca a passagem do negro, enquanto temática para a direção dos filmes. Deixando de estar à frente das câmeras para olhar de atrás delas, ao assumir a perspectiva da auto representação, Zózimo, Waldir Onofre e Antônio Pitanga, são atores que passamContinuar lendo “Rasgando a tela, quebrando a corrente”

“Mãe dos netos” – Uma narrativa de afeto e memória no cinema africano

Ouça no vento / O soluço do arbusto: É o sopro dos antepassados. / Nossos mortos não partiram. Estão na densa sombra. / Os mortos não estão sobre a terra. Estão na árvore que se agita, / Na madeira que geme, Estão na água que flui, / Na água que dorme, Estão na cabana, naContinuar lendo ““Mãe dos netos” – Uma narrativa de afeto e memória no cinema africano”

A continuidade do sonho de Zózimo: notas sobre VII Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe/Zózimo Bulbul

Terminou no último domingo, a sétima edição do Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe / Zózimo Bulbul. Este foi o primeiro Encontro após a morte de seu idealizador, o cineasta Zózimo Bulbul, em janeiro de 2013, cujo nome agora também integra o título do evento. Para os que, como eu, acompanham os EncontrosContinuar lendo “A continuidade do sonho de Zózimo: notas sobre VII Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe/Zózimo Bulbul”

Por um cinema africano no femino (II): o FICINE na 3a edição das Journées Cinématographiques de la Femme Africaine de l’Image

O FICINE começou sua itinerância! Aconteceu entre 03 e 07 de Março durante a 3a JCFA, Journées Cinématographiques de la Femme  Africaine de l’Image, em Ouagadougou, capital de Burkina Faso. Foram cinco dias de filmes, debates, oficinas e o FICINE estava lá, representado por mim, Janaína Oliveira, e também por Janaína Damaceno. O convite paraContinuar lendo “Por um cinema africano no femino (II): o FICINE na 3a edição das Journées Cinématographiques de la Femme Africaine de l’Image”

No país dos homens íntegros

Em 1984, a República do Alto Volta foi rebatizada pelo seu presidente Thomas Sankara – uma das maiores lideranças africanas, comparado na América Latina à figura de Che Guevara – como Burkina Faso ou o país dos homens íntegros, seu significado em morê e dioula, duas das principais línguas do país.  O “País dos homensContinuar lendo “No país dos homens íntegros”