Ciné Guimbi: cinema e resistência em Burkina Faso

Não é só no Brasil que espaços dedicados à exibição de filmes são fechados e transformados em igrejas, estacionamentos e shoppings. Em Burkina Faso, assim como em outros países da África, este triste processo também anda amplamente em curso. Burkina Faso, país situado no centro-oeste africano e pouco conhecido dos brasileiros, é uma referência quando falamos em cinema africano. Acontece em sua capital o maior festival do continente, o FESPACO (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ougadougou). É também terra natal de cineastas renomados (Gaston Kaboré, Dany Kouyaté, Moustapha Dao, Idrissa… Ler mais

Nada a perder ou a fotografia de Rotimi Fani-Kayodé (parte 2)

Esta é uma tradução livre de Traces of Ecstasy, uma manifesto do fotógrafo Anglo-Yorubá Rotimi Fani-Kayodé, publicado em 1987, quando o autor contava com 32 anos. Você encontra a primeira parte da tradução aqui. Traços de ênfase “Uma consciência histórica têm sido de fundamental importância no desenvolvimento de minha criatividade. A história africana e dos negros têm sido constantemente distorcida. Mesmo na África, minha educação foi dada em inglês, em escolas católicas, como se a língua e a cultura do meu povo, os Yorubá, fossem inadequadas para o desenvolvimento saudável dos jovens…. Ler mais

Nada a perder ou a fotografia de Rotimi Fani-Kayodé (parte 1)

“Homens negros do Terceiro Mundo ainda não revelaram, nem para seu próprio povo, nem para o Ocidente um fato chocante: eles podem desejar um ao outro.” Rotimi Fani-Kayodé. Faz um tempo que eu queria escrever um post sobre o Rotimi Fani-Kayodé, um dos meus fotógrafos prediletos. E num momento em que ser gay tornou-se crime na Nigéria, acho que lembrar de Kayodé vem muito a calhar. Ele nasceu em 1955, em Lagos, de uma família bastante poderosa. Basta lembrar que seu pai, o advogado Victor Fani-Kayode “Fany Power”, uma importante liderança Yorubá,… Ler mais

Um ano sem Zózimo Bulbul

Em 24 de janeiro de 2013, faleceu Zózimo Bulbul, o grande símbolo do Cinema Negro no Brasil. O FICINE tem em Bulbul uma fonte de inspiração. Por este motivo, criamos aqui em nossa página um espaço permanente dedicado à obra de Bulbul. Não só como homenagem ao mestre, mas também como forma de contribuir para o fim da invisibilidade que infelizmente marca os feitos dos negros e negras na história do Brasil, sobretudo quando falamos de cinema. Leia  a seguir  “Zózimo Bulbul e o Cinema Negro“,  texto que você encontra na sessão permanente de nosso… Ler mais

Quênia, São Silvestre, Cinema e muito mais!

Adoro atletismo e sempre fico torcendo pelos corredores quenianos na São Silvestre. Fico lembrando que já tentei a vida no salto em altura e ganhei uma medalha no salto em distância e nos 400m, quando estava na equipe do Omar Sabbag, meu colégio em Curitiba. Todo ano depois da São Silvestre prometo que vou correr a próxima, que vou voltar ao esporte e tal, o que de fato nunca acontece!!! Começo a pesquisar sobre os melhores tênis e as técnicas dos quenianos e tal e a coisa toda fica por aí. Este ano… Ler mais

Um Perfil de Sarah Maldoror

Você ainda não ouviu falar de Sarah Maldoror (1938)? Pois bem, ela é uma das principais (e primeiras) cineastas de África e tem uma extensa obra ainda pouco conhecida no Brasil. Um dos seus principais filmes, Sambizanga (1972), retrata o papel da mulher durante a guerra civil de Angola onde a cineasta viveu durante anos. O roteiro do filme foi escrito com Mário Pinto de Andrade, poeta e militante contra o colonialismo português, autor de Primeiro Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1953) e seu marido na época. Neste post, traduzimos… Ler mais

Um Continente nas Ruas Estreitas

DIAWARA, Manthia. African Film. New Forms of Aesthetics and Politics. Prest Verlag. Munich – Berlin – London – New York, Haus der Kulteren der Welt. 2010. 319.p. “Era um outro país, cujos gestos excitantesEu conhecia mas não conseguia relacionar com minha mente,Como a amnésia de minha mãe; respostas intraduzíveisAcompanhavam estes espíritos reaisQue tinham me esquecido assim como eu, também,Esquecera um continente nas ruas estreitas”.Derek Walcott, Omeros, 1990 (tradução Paulo Vizioli). Escrito como um fascinante, pessoal e reflexivo diário de viagem, o volume de muitas entradas e formato híbrido de Manthia Diawara nos… Ler mais

O cinema de Moustapha Alassane

Moustapha Alassane nasceu em N’Dougou no Niger no ano de 1942. Sua carreira como cineasta começou em 1962, quando produziu quatro curtas-metragens. Seus primeiros filmes de animação foram “Le Piroguier” e “La Pileuse de mil”, com duração dois minutos cada. Porém, foram as animações “A Morte de Gandji”(1965) e “Bon Voyage, Sim” , realizadas em 1965 e 1966, que o tornaram conhecido como o pioneiro do cinema de animação no continente africano. O desenho animado “Boa Viagem Sim” é uma leitura da vida política de seu país no período pós-independência expressa por… Ler mais