Rotterdam e o cinema negro brasileiro: (parte I): texto do catálogo do IFFR para a Mostra “Soul in the eye”.

Soul in the eye – Zózimo Bulbul’s Legacy and the contemporary Black Brazilian Cinema Por Janaína Oliveira e Tessa Boerman Depois de Black Rebels em 2017 e do Pan-African Cinema Today (PACT) em 2018, Soul in the Eye é o terceiro programa que destaca os principais movimentos do cinema pan-africano. Voltamos aqui nossos olhos para o Brasil, a maior comunidade da diáspora africana no mundo e ligamos o recente surto de filmes brasileiros negros ao trabalho pioneiro do ator, produtor, diretor e ativista Zózimo Bulbul (1937-2013). Soul in the Eye, a tradução… Ler mais

Luz, raiva, ação! Kbela

Ponto de partida: Zózimo Bubul e seu brilhante “Alma no olho” (misteriosamente esquecido nos cursos e circuitos universitários de cinema) realizado com as sobras de película da produção de “Compasso de Espera”, filme protagonizado por Bubul e dirigido por Antunes Filho. Ali o corpo é a superfície viva sobre o qual deslinda-se uma trajetória, sobre o qual incidem olhares e valores, chibata e desejo sexual — nota mental: re-assistir “Get Out”, reler “Anjo Negro” e Fanon. Ponto de partida: ser negra, a experiência. O cabelo. Os produtos. As sessões de tortura. Os… Ler mais

Corporeidades, ativismo político e movimentos negros: uma análise do filme “Aniceto do Império, em dia de alforria”, de Zózimo Bulbul (PARTE 2)

PARTE 1 A política e o exemplo de Aniceto se fazem pela resistência, não somente presente no nome do sindicato, mas pela própria corporeidade na qual aquele senhor, estivador aposentado, sambista e compositor apresenta. Isso significa que o curta-metragem Aniceto do Império consegue articular uma expressividade política do protagonista em que a força corpórea é uma das chaves parainterpretar as possibilidades de várias frentes de luta do protagonista. Nesse sentido, o discurso de Aniceto vai se constituindo não em uma representação ou simbologia, mas em um conhecimento que encontra fundamentos em novas… Ler mais

Corporeidades, ativismo político e movimentos negros: uma análise do filme “Aniceto do Império, em dia de alforria”, de Zózimo Bulbul (PARTE 1)

Michel Hanchard (2001) lembra que a partir da década de 1990, o Movimento Negro teve que repensar as maneiras de fazer política já que nesse momento se evidenciou uma série de interesses diversificados que compôs esse grupamento.  Algumas das diferentes demandas voltaram-se para as questões do feminismo negro, a visibilidade dos membros das religiões de Matrizes africanas e as diferentes formas estéticas em que o negro é representado na cultura brasileira. Zózimo Bulbul foi um dos artistas negros brasileiros que contribui para pensar essa nova estética do negro por meio da cinematografia…. Ler mais

Rasgando a tela, quebrando a corrente

“O cinema é uma AR-15e nós negros brasileiros sabemos atirar”, afirmava Zózimo Bulbul, que destaca a passagem do negro, enquanto temática para a direção dos filmes. Deixando de estar à frente das câmeras para olhar de atrás delas, ao assumir a perspectiva da auto representação, Zózimo, Waldir Onofre e Antônio Pitanga, são atores que passam a realizar filmes na década de 70, tendo a temática racial em foco. Porém, Bulbul  é o único  a compor  uma filmografia,   e dentre suas  obras destaca-se a primeira: Alma no olho (1973), realizada com restos… Ler mais