Fórum de Tiradentes: Desafios da política pública para cinema e por que isso NOS diz respeito

Foto: Leo Fontes/Universo Produção

Uma boa parte do Brasil repercute neste momento o feito inédito de ter um filme nacional – Ainda estou aqui – concorrendo à categoria mais importante (Melhor Filme) e a duas outras (Melhor Atriz e Melhor Filme Estrangeiro) da premiação mais famosa do cinema, o Oscar. Mas enquanto as celebrações parecem passar ao largo das disputas pela valorização real do cinema brasileiro e, sobretudo, pela possibilidade de distribuição do dinheiro do audiovisual para grupos que historicamente tiveram seus acessos negados a esses valores, um evento importante dá o pontapé para as discussões sobre ações que podem ser tomadas a partir de 2025 para que não somente o cinema, mas toda a cadeia de audiovisual brasileira seja cada vez mais valorizada dentro e fora do país.

A partir dos próximos dias, na cidade de Tiradentes-MG, teremos a reunião de mais de 70 profissionais discutindo descentralização, diversidade, democracia, desenvolvimento econômico e social desse audiovisual. Todas essas pessoas estarão divididas em cinco grupos de trabalho – formação, produção, exibição/difusão, distribuição/circulação e preservação e observatórios -, para esboçar recomendações específicas e transversais, diante de temas centrais e urgentes às políticas públicas de nosso cinema. Tudo isso se dará na programação do Fórum de Tiradentes – Encontros pelo Audiovisual Brasileiro, que realiza sua terceira edição, entre os dias 25 e 29 de janeiro, como parte da programação da 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes

O Fórum segue sendo um grande acerto da Mostra por proporcionar um espaço de ponto de encontro para vários segmentos do audiovisual brasileiro na busca por diagnóstico dos pontos críticos da atividade. O FICINE participa do Fórum com a presença de Tatiana Carvalho, presidenta da Associação de Profissionais Audiovisuais Negros – APAN, que mediará a sessão de abertura, chamada “O Desenvolvimento do audiovisual como política estratégica do estado brasileiro”, com a presença da Ministra da Cultura Margareth Menezes, da Secretária Nacional do Audiovisual Joelma Gonzaga, da deputada federal Benedita da Silva, do deputado federal Reginaldo Lopes, do filósofo Leonardo Boff, da Secretária Municipal de Cultura de Belo Horizonte Eliane Parreiras e do Secretário de Estado de Cultura do Espírito Santo Fabrício Noronha.

Tatiana vai estar também no debate da sessão “Pluralidade Audiovisual e Democratização do Acesso” e ainda vai participar da leitura da Carta de Tiradentes 2025, um documento que reunirá o conjunto das discussões realizadas nos GT’s. A sessão de abertura propõe destacar o tema central da edição da Mostra Tiradentes que é a revitalização da política nacional do audiovisual, a ênfase à pauta regulatória dos serviços de streaming e às políticas públicas nacionais de execução compartilhada e fomento do setor com ênfase na Lei Aldir Blanc e arranjos regionais.  

A temática “Que cinema é esse?” da Mostra Tiradentes servirá como um norte para as discussões do Fórum, que precisam pensar não somente em novas respostas, mas também em novas perguntas para que toda a cadeia produtiva do cinema brasileiro esteja preparada para os desafios futuros. Além da luta pela regulação dos streamings no Brasil – uma das pautas centrais quando se fala em política pública para o audiovisual hoje – existem ainda questões que se colocam no horizonte de desafios, como, por exemplo, a TV 3.0 e, claro, o preocupante uso da inteligência artificial sobre a atividade audiovisual.

Publicado por FICINE

O FICINE tem por objetivo a construção de uma rede internacional de discussões, projetos e trocas que tenham como ponto de partida e ênfase a reflexão sobre os Cinemas Negros na diáspora e no continente africano.

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