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Quênia, São Silvestre, Cinema e muito mais!

10.01.2014 | Janaína Damaceno

  yellow fever

Adoro atletismo e sempre fico torcendo pelos corredores quenianos na São Silvestre. Fico lembrando que já tentei a vida no salto em altura e ganhei uma medalha no salto em distância e nos 400m, quando estava na equipe do Omar Sabbag, meu colégio em Curitiba. Todo ano depois da São Silvestre prometo que vou correr a próxima, que vou voltar ao esporte e tal, o que de fato nunca acontece!!! Começo a pesquisar sobre os melhores tênis e as técnicas dos quenianos e tal e a coisa toda fica por aí. Este ano não foi diferente, mas no meio da pesquisa acabei descobrindo muito mais do Quênia.

Primeira velha descoberta: Ng'endo Mukii. Ouvi falar do trabalho da Ng'endo pela primeira vez no ano passado, quando o Febre Amarela foi exibido no Festival de Curtas de São Paulo. Yellow Fever, um curta de 6 minutos deveria ser um filme obrigatório para nós. Ele é lindo. Ng'endo é uma (estilosérrima) talentosa diretora, animadora e roteirista de Nairobi. Antes de Yellow Fever, ela dirigiu Hasidi e Dust. Este último, uma narrativa sobre suas experiências na Copa do Mundo da África do Sul, termina com uma homenagem ao Mandela. Mas Yellow Fever vai fundo ao expor algumas das feridas abertas pelo efeito conjunto do racismo e do sexismo dirigidos à mulher negra. Talvez por falar de uma experiência pessoal de Ng'endo e sua irmã, dos clareamentos (bleachings) realizados por algumas mulheres quenianas e por colocar a pele como ponto central de discussão, Yellow Fever, torna-se tão forte. O texto do filme nos leva a refletir sobre temas como o auto-ódio estimulado cotidianamente pelos meios de comunicação e pela propaganda. O filme ainda está no circuito das mostras e festivais, mas esperamos que logo ele esteja disponível para download. Por enquanto, você pode ver seu trailer!

Segunda descoberta de Nairobi. Um pequeno vídeo do New York Times me levou ao Just a Band, um grupo de música eletrônica/ house/ etc. Os membros da banda, que se conheceram na universidade, fazem os seus próprios videoclips. Ha-He narra a história de Makmende Amerudi, um herói estilo Chuck Norris e já tem mais de 500.000 views no Youtube. Huff + Puff, Usinibore e Dunia Ina Mambo também merecem um view!

Por último e, porque já é fim de semana e todo mundo quer dançar, conheçam os Villagers Band e um hit de 2011, Furi Furi Dance de DK e Jimmy Gait. Boa sexta, bom sábado e bom domingo para todos! Quem sabe amanhã eu volte a correr!

 
  

Janaína Damaceno

Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (2013) e Mestre em Educação pela UNICAMP (2009), produtora audiovisual e fotógrafa. Tem experiência na produção de cinema e vídeo, tendo atuado como produtora e diretora de curtas e programas de TV, com destaque para a realização, como produtora, da TV Povos do Mar e do documentário Quilombos Paulistas. Dirige com Victor Epifanio a série Roteiros Negros. Já produziu filmes em parceria com ONGs da Alemanha e para a UNICEF. Suas pesquisa giram em torno da relação entre educação, cinema e fotografia negros. Realizou a exposições Quilombos, no Espaço Unibanco de Cinema e na Universidade de São Paulo. No momento, está preparando a exposição Barroco Animado, sobre a cultura infanto juvenil na área rural de Mariana e Ouro Preto, Minas Gerais.
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