Fórum Itinerante de Cinema Negro

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I FICINE em Cabo Verde: Desafios dos Cinemas Negros em África e Diáspora.

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O Fórum Itinerante de Cinema Negro tem por objetivo a construção de uma rede internacional de discussões e trocas através da realização de encontros que tenham como ponto de partida e ênfase a reflexão sobre o Cinema Negro na diáspora e no continente africano. Em sua primeira atividade em Cabo Verde, o FICINE realizará uma série de atividades visando ampliar a ponte de conexões entre Brasil e África, através de workshops, palestra e mostra de filmes.

Para a edição caboverdiana, propomos dois eixos como ponto de partida para os debates: primeiramente uma reflexão sobre a produção de Cinema Negro no Brasil, a montagem de um panorama sobre esta produção e, consequentemente, um debate sobre a questão racial no Brasil através do audiovisual. E, em segundo lugar, uma reflexão sobre os desafios da produção de cinema em África, a partir do exemplo de Burkina Faso, enfatizando, a história de desenvolvimento do FESPACO, Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, o maior festival de cinema do continente que ocorre  bienalmente desde 1969.

 

FICINE, release do projeto

O Fórum Itinerante de Cinema Negro (FICINE) é um espaço de formação e reflexão sobre a produção mundial de cinema, fotografia e audiovisual que tem os/as negros/as como realizadores/as e as culturas e as experiências negras como tema principal. O conceito abrange cinematografias distintas que se estendem dos países africanos às suas diásporas. De Zózimo Bulbul no Brasil à Isaac Julien no Reino Unido. De Ousmane Sembene no Senegal à Julie Dash nos Estados Unidos. De Zezé Gamboa em Angola a Jhonny Hendrix Hinestroza na Colômbia.

O FICINE é composto por historiadores, antropólogos e cineastas de Cabo Verde e Brasil interessados na produção, crítica, formação e qualificação de público para o debate acerca de tais cinematografias, tentando compreendê-las em seus sentidos fílmicos mais completos e não apenas como meras ilustrações ou alegorias sobre as histórias e as culturas negras no mundo. Problematizar a própria produção, mostrar como determinados contextos culturais constroem narrativas diversas e significativas, bem como criam gêneros e linguagens distintas é uma de nossas intenções.

 

Além disso, o Fórum Itinerante de Cinema Negro procura refletir sobre as construções de identidades e subjetividades na diáspora e em África, pensando quais são as relações históricas e culturais responsáveis tanto pela perpetuação de heranças e tradições, quanto pela sustentação de estereótipos e preconceitos raciais. Desconstruir esses estereótipos e preconceitos faz parte de nossas intenções.

 

A invisibilidade dessas produções cinematográficas na diáspora, sobretudo ao que tange as realidades latino-americana e caribenha, está no cerne das preocupações e interesses que motivam e justificam a realização do Fórum Itinerante de Cinema Negro. Do mesmo modo que está também a ausência de debates e formulações que colaborem, dentre outra coisas, na divulgação do Cinema Negro e na formação de público.

É, nesse sentido, que nossa proposta tem como ponto de partida a compreensão de que ao falarmos em Cinema(s) Negro(s) estamos tanto abordando as questões referentes à temática presentes nas narrativas fílmicas e audiovisuais, concebidas em diálogo direto com e para as populações afro descendentes; assim como aquilo que diz respeito às subjetividades de quem as realiza, ou seja, a questão do olhar negro, as estéticas e mise en scène negras, em resumo, os(as) negros(as) como realizadores(as), produtores(as), atores e atrizes das produções audiovisuais.

Deste modo, estão presentes também nas considerações que permeiam todo o trabalho, reflexões sobre construções de identidades e subjetividades na diáspora e em África, assim considerando as relações históricas e culturais, responsáveis tanto pela perpetuação de heranças e tradições, como também de sustentação de estereótipos e preconceitos raciais.  Em verdade, é na desconstrução e na anulação desses estereótipos e preconceitos que grande parte de nossas intenções transitam.

Para tanto, compreendemos que o público-alvo para o I Fórum Itinerante de Cinema Negro em Cabo Verde  pode ser formado preferencialmente  por profissionais, estudantes, pesquisadores ligados à área audiovisual, educação e áreas afins. Dizemos preferencialmente pois é fundamental que todas as atividades propostas sejam abertas ao público em geral, a todos que estejam interessados em participar, pois, como dissemos,  a formação de público é parte fundamental do debate.

No interesse na formação de público e divulgação se justifica também o caráter itinerante do Fórum, sendo a proposta de realização de atividades em Cabo Verde a continuidade de ações realizadas no Brasil e em Burkina Faso, neste primeiro semestre de 2014. Pois, em novembro de 2013, o FICINE inaugurou sua página na internet e iniciou uma série de eventos presenciais a partir do Rio de Janeiro.  Entre 03 e 07 de Março deste ano, o participamos da 3a edição das Journées Cinématographiques de la Femme Africaine de l’Image, as JCFA, organizada pelo FESPACO, em Ouagadougou, capital de Burkina Faso.  Realizamos uma exposição de fotos sobre o papel da mulher negra do cinema brasileiro e também uma palestra de apresentação do site e projeto do FICINE, assim como algumas considerações sobre a questão racial no Brasil.

Ainda neste primeiro semestre de 2014, teve início o processo de formalização de dimensão acadêmica do FICINE, e, em breve, se transformará também em um grupo de pesquisa cadastrado na base de dados do CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, principal agência de pesquisa do Brasil, congregando pesquisadores de diferentes universidades.

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