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O CINEMA DE MOUSTAPHA ALASSANE

10.12.2013 | Cristina Ferreira | ,

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Moustapha Alassane nasceu em N'Dougou no Niger no ano de 1942. Sua carreira como cineasta começou em 1962, quando produziu quatro curtas-metragens. Seus primeiros filmes de animação foram “Le Piroguier” e “La Pileuse de mil”, com duração dois minutos cada. Porém, foram as animações “A Morte de Gandji”(1965) e Bon Voyage, Sim , realizadas em 1965 e 1966, que o tornaram conhecido como o pioneiro do cinema de animação no continente africano. O desenho animado “Boa Viagem Sim” é uma leitura da vida política de seu país no período pós-independência expressa por meio da escrita em imagens animadas de Moustapha. Para além da criação dos desenhos e da construção do discurso fílmico (a escolha dos planos e a montagem final das cenas) é a criação do movimento pelo autor que melhor expressa sua crítica social.

Desde 2010, tenho pesquisado a trajetória do animador cineasta Moustapha Alassane cursando o Doutorado em Ciências Sociais na UFRN. De seus filmes de animação, destaco Kokoa, uma produção de 2001, realizado em stop-motion com bonecos e cenários construídos pelo próprio animador. A narrativa é sobre uma luta inspirada em um jogo tradicional de arena dessa região da África Ocidental, mas na animação de Alassane, os protagonistas e a plateia é composta de personagens como sapos, camaleões, pássaros e até um caranguejo. Considero este filme um ponto alto da trajetória de Alassane como autor no cinema de animação, por ser o momento em que ele (re)apropria-se da sensibilidade e da instrumentalidade do suporte técnico. As evoluções dos bonecos personagens se aproximam muito das execuções feitas por percussionistas africanos. Moustapha traz novamente para sua expressão animada parte de sua memória cinestésica, que guarda os movimentos dos percussionistas com quais conviveu cotidianamente.

Veja um trecho de Kokoa:

Leia mais em   

O retorno aventureiro ao cinema do Níger pelo olhar de Moustapha Alassane por Cristina Ferreira

 
  

Cristina Ferreira

Doutoranda no Programa de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mestre em Educação e graduada em Rádio e TV pela UFMG. Sócia fundadora da Associação Imagem Comunitária (AIC), ONG que promove a expressão e o acesso por meios das mídias, e completa 20 anos de atuação em 2013. Na AIC atuou com capacitação e pesquisa sobre mídias comunitárias. De 2005 a 2007 realizou pesquisa sobre educação e tradições afro-brasileiras, na região do alto Vale do Jequitinhonha, em MG. Atualmente pesquisa a trajetória de realizadores de cinema de animação em países como o Níger e a República Democrática do Congo.