Fórum Itinerante de Cinema Negro

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Para Zózimo, com carinho

03.09.2017 | Janaína Oliveira |

Último Encontro de Cinema Negro com a presença de Zózimo.

Foto: minhãs mãos por Ierê Ferreira

  A.Z. e D.Z.: assim poderia ser definida minha trajetória. Antes e depois do encontro com Zózimo Bulbul. Ainda que já tivesse visto aqui e ali alguns filmes africanos, foi através de Zózimo, dos filmes e cineastas que estiveram presentes nestes 10 anos de Encontro de Cinema Negro, que pude não só conhecer a história do cinema africano, mas suas muitas narrativas, dimensões estéticas e políticas. Zózimo foi a primeira pessoa que me falou do Fespaco, Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, maior festival de cinema da África. Foi também através de Zózimo que conheci nomes fundamentais da história do cinema negro, como a obra do realizador estadunidense Saint Claire Bourne, homenageado do Encontro em 2009, ou do parceiro de geração e também pioneiro do cinema negro brasileiro Waldir Onofre. Nos Encontros de Cinema Negro pude experienciar a sensação indescritível de se sentir contemplada nas telas de cinema e também na plateia. Compreendendo através das imagens em movimento um mundo de possibilidades e a urgência de interromper o racismo profundo presente no audiovisual nacional, porque sim, representatividade importa.

Com Zózimo em 2010. Acervo pessoal.

     

Essa é a minha história mas é também a história de uma geração. Uma geração de cineastas, atrizes, atores, roteiristas, técnicas/os, pesquisadoras/es, público, amantes do cinema que o Encontro de Cinema Negro reuniu nessa primeira década de atividade, nas salas de projeção, nos seminários, cursos, corredores e, claro, hall do Odeon. O Encontro completa 10 anos e hoje o cinema negro já não é mais um projeto, é um movimento. Não importam as adversidades pela frente, não há retroceder possível. Ao começar toda essa empreitada aos 70 anos, Zózimo nos mostrou que sempre é tempo, que é possível transformar as realidades. E cá estamos nós, celebrando, propagando e amplificando os caminhos do cinema negro no Brasil tal como apontado por ele.

Zózimo vive.

 

Mesa em Homenagem a Zózimo na 10a edição do Encontro de Cinema Negro: Biza Vianna, Janaína Oliveira, Mansou Sora Wade, Rigoberto Lopes, Carmen Luz, Viviane Ferreira, Antonio Molina, Joelzito Araújo e Ierê Ferreira.

 
  

Janaína Oliveira

Pesquisadora, é doutora em História pela PUC-Rio e professora desta disciplina no Instituto Federal do Rio de Janeiro – Campus São Gonçalo, onde coordena o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígena (NEABI). Realiza pesquisas centradas na reflexão sobre Cinema Negro, no Brasil e na diáspora, e também sobre as cinematografias africanas, sempre buscando conexões que possam incidir também na área da educação das relações étnicorraciais. Desde 2009, orienta o projeto de pesquisa “Cinegritude: reflexões sobre a invisibilidade das produções cinematográficas africanas e afro-brasileiras na contemporaneidade”. Desde 2011 participa ativamente do FESPACO, Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou e da JCFA, Journée Cinématographique de la Femme Africaine d’Image, ambos em Burkina Faso. Foi consultora do Ministério da Cultura e das Organizações das Nações Unidas. É membro também do CODESRIA (Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África). Recentemente, fez curadoria de filmes para as duas edições do Plateau – Festival Internacional de Praia, Cabo Verde. No Brasil, fez curadoria para a Mostra de Filmes Africanos do FINCAR - Festival Internacional de Cinema Realizadoras (PE), a 7a edição do Cachoeira Doc (BA), para o Diálogos Ausentes do Itaú Cultural - módulo de Audiovisual (SP) e para a 8a Semana dos Realizadores (RJ). Atualmente é curadora do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul. Faz parte da APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro). É idealizadora e coordenadora do FICINE, Fórum Itinerante de Cinema Negro (www.ficine.org).
Outros artigos do autor:
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Por um cinema africano no feminino (I): as Jornadas Cinematográficas da Mulher Africana (JCFA)
Um ano sem Zózimo Bulbul
Ciné Guimbi: cinema e resistência em Burkina Faso
Por um cinema africano no femino (II): o FICINE na 3a edição das Journées Cinématographiques de la Femme Africaine de l’Image
A continuidade do sonho de Zózimo: notas sobre VII Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe/Zózimo Bulbul
Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 1)*
Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 2)*
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