Fórum Itinerante de Cinema Negro

Artigos

Corporeidades, ativismo político e movimentos negros: uma análise do filme “Aniceto do Império, em dia de alforria”, de Zózimo Bulbul (PARTE 2)

08.11.2017 | Fabio Jose  | Artigos

PARTE 1

A política e o exemplo de Aniceto se fazem pela resistência, não somente presente no nome do sindicato, mas pela própria corporeidade na qual aquele senhor, estivador aposentado, sambista e compositor apresenta. Isso significa que o curta-metragem Aniceto do Império consegue articular uma expressividade política do protagonista em que a força corpórea é uma das chaves parainterpretar as possibilidades de várias frentes de luta do protagonista. Nesse sentido, o discurso de Aniceto vai se constituindo não em uma representação ou simbologia, mas em um conhecimento que encontra fundamentos em novas formas de...  leia mais>>

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Corporeidades, ativismo político e movimentos negros: uma análise do filme "Aniceto do Império, em dia de alforria", de Zózimo Bulbul (PARTE 1)

27.09.2017 | Fabio Jose  | Artigos

Michel Hanchard (2001) lembra que a partir da década de 1990, o Movimento Negro teve que repensar as maneiras de fazer política já que nesse momento se evidenciou uma série de interesses diversificados que compôs esse grupamento.  Algumas das diferentes demandas voltaram-se para as questões do feminismo negro, a visibilidade dos membros das religiões de Matrizes africanas e as diferentes formas estéticas em que o negro é representado na cultura brasileira.

Zózimo Bulbul foi um dos artistas negros brasileiros que contribui para pensar essa nova estética do negro por meio da cinematografia. O...  leia mais>>

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Para Zózimo, com carinho

03.09.2017 | Janaína Oliveira | Artigos

Último Encontro de Cinema Negro com a presença de Zózimo.

Foto: minhãs mãos por Ierê Ferreira

  A.Z. e D.Z.: assim poderia ser definida minha trajetória. Antes e depois do encontro com Zózimo Bulbul. Ainda que já tivesse visto aqui e ali alguns filmes africanos, foi através de Zózimo, dos filmes e cineastas que estiveram presentes nestes 10 anos de Encontro de Cinema Negro, que pude não só conhecer a história do cinema africano, mas suas muitas narrativas, dimensões estéticas e políticas. Zózimo foi a primeira pessoa que me falou do Fespaco, Festival Panafricano de...  leia mais>>

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10 anos do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, uma edição histórica

30.08.2017 | Janaína Oliveira | Artigos, Festivais

Por Janaína Oliveira, curadora convidada do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.

Há dois anos atrás, escrevi em um artigo* que o cinema negro no Brasil era um projeto em construção. Um projeto que, articulado às lutas históricas dos movimentos negros, demandava por mudanças na representatividade negra dentro e fora das telas de cinema no país. Naquele momento, após praticamente três décadas de existência, apontei que o cinema negro nacional finalmente ganhava forma e corpo, despontando ali a força de um movimento. Hoje, dois anos depois, este movimento é incontestável. O que faz desta edição...  leia mais>>

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A POESIA UNIVERSAL NO CINEMA DE UM HOMEM AFRICANO: ENTREVISTA COM FLORA GOMES

24.08.2017 | Jusciele Oliveira  | Artigos, Entrevistas

Por Jusciele Oliveira e Maíra Zenun*

Foi em janeiro de 2015 que nos conhecemos. Duas doutorandas, estudando a produção de cinema em África, que nunca se cruzaram no Brasil, mas que se viam reunidas com mais um grupo de 30 pessoas, entre docentes e discentes, durante a Escola Doutoral Fábrica de Ideias, que aconteceu em Lisboa, Portugal. Tratava-se de um curso avançado em estudos étnico-raciais, criado em 2008, pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Étnicos e Africanos (Posafro), da Universidade Federal da Bahia (UFBA, Salvador, Bahia, Brasil), com o objetivo de fomentar o intercâmbio de ideias e...  leia mais>>

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Um confronto histórico entre Jean Rouch e Ousmane Sembène em 1965: “Vocês nos olham como se fossemos insetos”*

16.01.2017 |   | Artigos, Entrevistas

Este diálogo de 1965 se deu entre dois grandes cineastas – um senegalês, o outro francês – cujos principais filmes tem como tema a África. Na época da conversa, o francês Jean Rouch (1917-2004) estava na vanguarda do cinema europeu. Aclamado como um diretor etnográfico, Rouch foi o primeiro a usar o tema “cinéma vérité”, aplicando-o a “Crônica de um verão” (1960), seu filme mais conhecido. Significando literalmente “cinema verdade”, “cinéma vérité” é um gênero que mistura fato e ficção e que foi um influente movimento cinematográfico dos anos 1950 e 60. O apego de Rouch por temas...  leia mais>>

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Ideias Pretas em Nuvens

11.01.2017 | Ana Julia Travia  | Artigos

Gostaria de utilizar esse espaço que me foi cedido para refletir um pouco sobre os acontecimentos atuais que envolvem parte do cinema negro brasileiro contemporâneo e também para analisar objetos que são poucos analisados aqui. Sairei do “cinemão” para falar da produção audiovisual para internet e do contexto que rodeia a produção e aquilo que acontece nos bastidores, fora das telas dos cinemas.

Gostaria também de pontuar que eu falo de um lugar muito privilegiado e ao mesmo tempo pouco distanciado considerando minha recente formação em cinema e minha participação relativamente ativa na efervescência política que...  leia mais>>

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Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 2)*

05.12.2016 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO

Os primeiros tempos do cinema africano: a criação dos Festivais de Cinema de Ouagadougou.

A necessidade de descolonização das telas de cinema do continente está na base do movimento que faz surgir os festivais de filmes africanos. Foi pensando nesta dimensão que Tahar Cheriaa criou o primeiro festival de cinema do continente: as Jornadas Cinematográficas de Cartago, em 1966, abrindo assim não só uma janela para exibição de filmes mas criando também um espaço político para debate das estratégias a serem seguidas visando a ampliação da difusão e políticas de incentivo à produção...  leia mais>>

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Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 1)*

30.11.2016 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO, Festivais

Introdução

 

“Quando amamos o cinema, vivemos o FESPACO”. Lemos esta frase em uma faixa de rua eternizada em foto de Michel Ayrault. A faixa, afixada em uma rua no centro de Ouagadougou, capital de Burkina Faso, nos fornece uma dica sobre a importância que este Festival possui para o cinema africano: amar o cinema (africano) é viver o Festival Pan-Africano de Cinema Televisão de Ouagadougou. Criado em 1969, o Fespaco é uma parte fundamental na trajetória do cinema africano de tal forma que é possível ter na sua história um fio...  leia mais>>

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FICINE no CINEMAISON - 1a sessão

27.04.2016 | Thiago Florêncio | Artigos

 

No dia 12 de abril ocorreu a primeira das quatro ocupações que  o FICINE realizará ao longo do ano de 2016 no CineMaison, cineclube da cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro. O início desta parceria não poderia ter sido melhor: o público, que compareceu em grande número, teve a chance rara de assistir em primeira mão à exibição em película do filme La noire de... (1966) do diretor senegalês Ousmane Sembène. Este clássico do "pai do cinema africano" foi o primeiro longa a ser realizado em terras da África subsaariana por um diretor africano. Após a...  leia mais>>

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Corpo negro-africano no cinema de Glauber Rocha (parte 2)

18.11.2014 | Thiago Florêncio | Artigos

c.

Há inúmeros elementos presentes no discurso fílmico de Barravento que denotam o olhar crítico do diretor em relação ao caráter alienante do caráter místico do povo negro. O mais explícito encontra-se no letreiro de abertura do filme:

No litoral da Bahia vivem os negros puxadores de ‘xaréu’, cujos antepassados vieram escravos da África. Permanecem até hoje os cultos aos deuses africanos e todo esse povo é dominado por um misticismo trágico e fatalista. Aceitam a miséria, o analfabetismo e a exploração com a passividade característica daqueles que esperam o reino divino. (...)...  leia mais>>

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Corpo negro-africano no cinema de Glauber Rocha (parte 1)

10.11.2014 | Thiago Florêncio | Artigos

a.

Este trabalho se propõe ao exercício de compreender o caráter ambivalente da inserção do corpo negro e africano na produção estética de Glauber Rocha, sobretudo em dois de seus filmes que, em períodos e territórios distintos, lidam com a experiência direta de contato da câmera cinematográfica com a presença negro-africana. Os dois filmes em questão, Barravento (1962) e O leão de sete cabeças (1972), marcam dois momentos inaugurais de Glauber: o primeiro por se tratar de seu primeiro longa- metragem; o segundo por se tratar de sua primeira película produzida no...  leia mais>>

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CINEMA NEGRO – sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 2)

21.10.2014 | Maíra Zenun | Artigos



3. A quem interessa um cinema negro?

O cinema é, sem sombra de dúvidas, um tipo de saber social. Ao ser tratado pela sociologia como objeto de estudo, é necessário que antes ele seja localizado, contextualizado e discutido, a partir da sua elaboração. Assim como qualquer outra forma de conhecimento. Inclusive por suas características mais primordiais, o cinema (áudio + visual) revela o quanto sua produção é resultado de múltiplas práticas políticas e culturais. Por ser uma arte-tecnológica, temporal, é necessário que se observe, simultaneamente, técnica/estrutura e agentes envolvidos. Outro fator importante: a narrativa cinematográfica é resultado de...  leia mais>>

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CINEMA NEGRO - Sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 1)

13.10.2014 | Maíra Zenun | Artigos

1. Apresentação

 

« São cada vez mais numerosos os filmes que trazem a sua história (de origem africana) para o ecrã. Todos esses realizadores transcendem a noção de estado-nação e os constrangimentos da etnicidade e das suas particularidades. Criam um espaço de diálogo e de definição de uma identidade negra híbrida.» (DIAKHATÉ, 2011: 122).

Pensando nas formas de resistência que as populações negras, tanto da África quanto dos territórios diaspóricos, têm procurado organizar desde o início do século XX – como os movimentos e conceitos da Harlem Renaissance, da negritude, do pan-africanismo, do...  leia mais>>

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Por um cinema africano no feminino (III): “Um foco sobre as Mulheres Burkinabês no Cinema"*

07.07.2014 | Beti Ellerson | Artigos, FESPACO, Festivais

Dando seqüência às publicações que visam divulgar a produção e a participação de mulheres africanas no cinema, o FICINE traz este post escrito pela diretora e pesquisadora Beti Ellerson. O texto foi publicado originalmente em African Women in Cinema Blog, um espaço criado para a discussão de diversos assuntos relacionados à participação das mulheres africanas no cinema que faz parte do Centre for the Study and Research of African Women in Cinema. Boa leitura!

 

“Desde início da história do cinema em Burkina Faso, as mulheres desempenharam um papel proeminente. Ouagadougou, Burkina...  leia mais>>

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No país dos homens íntegros

05.03.2014 | Janaína Damaceno | Artigos

Em 1984, a República do Alto Volta foi rebatizada pelo seu presidente Thomas Sankara - uma das maiores lideranças africanas, comparado na América Latina à figura de Che Guevara - como Burkina Faso ou o país dos homens íntegros, seu significado em morê e dioula, duas das principais línguas do país.  O "País dos homens íntegros", tem como capital a cidade de Ouagadougou que significa "respeito aos mais velhos". (Chore!)  Ouaga (Uagá) é uma cidade de mais de 1,5 milhões de habitantes, extremamente agitada como toda metrópole e com uma vida cultural bastante intensa. Se você...  leia mais>>

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Ciné Guimbi: cinema e resistência em Burkina Faso

25.02.2014 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO, Salas de Cinema

Não é só no Brasil que espaços dedicados à exibição de filmes são fechados e transformados em igrejas, estacionamentos e shoppings. Em Burkina Faso, assim como em outros países da África, este triste processo também anda amplamente em curso.

Burkina Faso, país situado no centro-oeste africano e pouco conhecido dos brasileiros, é uma referência quando falamos em cinema africano. Acontece em sua capital o maior festival do continente, o FESPACO (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ougadougou). É também terra natal de cineastas renomados (Gaston Kaboré, Dany Kouyaté, Moustapha Dao, Idrissa Ouedraogo só...  leia mais>>

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7º Festival Lagunimages (2013) – Benim: cinema, culturas urbanas e o Brasil (Parte 2)

17.02.2014 | Emi Koide | Artigos, Festivais

Em sua 7ª. edição, o Festival Lagunimages (Festival internacional de filmes, televisão e documentário do Benim) dirigido por Noudeou Noëlie Houngnihin, teve o Brasil como país convidado. Na programação de filmes brasileiros destacaram-se produções que mostram as relações e os encontros entre o Brasil e o continente africano como “Pedra da Memória” (2011) de Renata Amaral e “Ori” (1989) de Raquel Gerber. Interessante notar que a mostra brasileira foi marcada por estes filmes de realizadoras mulheres num festival impulsionado pela determinação de outras duas mulheres: Christianne Chabi Kao e Noudéou Noélie Houngnihin. O primeiro foi escolhido como filme de...  leia mais>>

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