Fórum Itinerante de Cinema Negro

Artigos

Um confronto histórico entre Jean Rouch e Ousmane Sembène em 1965: “Vocês nos olham como se fossemos insetos”*

16.01.2017 |   | Artigos, Entrevistas

Este diálogo de 1965 se deu entre dois grandes cineastas – um senegalês, o outro francês – cujos principais filmes tem como tema a África. Na época da conversa, o francês Jean Rouch (1917-2004) estava na vanguarda do cinema europeu. Aclamado como um diretor etnográfico, Rouch foi o primeiro a usar o tema “cinéma vérité”, aplicando-o a “Crônica de um verão” (1960), seu filme mais conhecido. Significando literalmente “cinema verdade”, “cinéma vérité” é um gênero que mistura fato e ficção e que foi um influente movimento cinematográfico dos anos 1950 e 60. O apego de Rouch por temas...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Ideias Pretas em Nuvens

11.01.2017 | Ana Julia Travia  | Artigos

Gostaria de utilizar esse espaço que me foi cedido para refletir um pouco sobre os acontecimentos atuais que envolvem parte do cinema negro brasileiro contemporâneo e também para analisar objetos que são poucos analisados aqui. Sairei do “cinemão” para falar da produção audiovisual para internet e do contexto que rodeia a produção e aquilo que acontece nos bastidores, fora das telas dos cinemas.

Gostaria também de pontuar que eu falo de um lugar muito privilegiado e ao mesmo tempo pouco distanciado considerando minha recente formação em cinema e minha participação relativamente ativa na efervescência política que...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 2)*

05.12.2016 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO

Os primeiros tempos do cinema africano: a criação dos Festivais de Cinema de Ouagadougou.

A necessidade de descolonização das telas de cinema do continente está na base do movimento que faz surgir os festivais de filmes africanos. Foi pensando nesta dimensão que Tahar Cheriaa criou o primeiro festival de cinema do continente: as Jornadas Cinematográficas de Cartago, em 1966, abrindo assim não só uma janela para exibição de filmes mas criando também um espaço político para debate das estratégias a serem seguidas visando a ampliação da difusão e políticas de incentivo à produção...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Descolonizando telas: o FESPACO e os primeiros tempos do cinema africano (parte 1)*

30.11.2016 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO, Festivais

Introdução

 

“Quando amamos o cinema, vivemos o FESPACO”. Lemos esta frase em uma faixa de rua eternizada em foto de Michel Ayrault. A faixa, afixada em uma rua no centro de Ouagadougou, capital de Burkina Faso, nos fornece uma dica sobre a importância que este Festival possui para o cinema africano: amar o cinema (africano) é viver o Festival Pan-Africano de Cinema Televisão de Ouagadougou. Criado em 1969, o Fespaco é uma parte fundamental na trajetória do cinema africano de tal forma que é possível ter na sua história um fio...  leia mais>>

deixe os seus comentários

FICINE no CINEMAISON - 1a sessão

27.04.2016 | Thiago Florêncio | Artigos

 

No dia 12 de abril ocorreu a primeira das quatro ocupações que  o FICINE realizará ao longo do ano de 2016 no CineMaison, cineclube da cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro. O início desta parceria não poderia ter sido melhor: o público, que compareceu em grande número, teve a chance rara de assistir em primeira mão à exibição em película do filme La noire de... (1966) do diretor senegalês Ousmane Sembène. Este clássico do "pai do cinema africano" foi o primeiro longa a ser realizado em terras da África subsaariana por um diretor africano. Após a...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Corpo negro-africano no cinema de Glauber Rocha (parte 2)

18.11.2014 | Thiago Florêncio | Artigos

c.

Há inúmeros elementos presentes no discurso fílmico de Barravento que denotam o olhar crítico do diretor em relação ao caráter alienante do caráter místico do povo negro. O mais explícito encontra-se no letreiro de abertura do filme:

No litoral da Bahia vivem os negros puxadores de ‘xaréu’, cujos antepassados vieram escravos da África. Permanecem até hoje os cultos aos deuses africanos e todo esse povo é dominado por um misticismo trágico e fatalista. Aceitam a miséria, o analfabetismo e a exploração com a passividade característica daqueles que esperam o reino divino. (...)...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Corpo negro-africano no cinema de Glauber Rocha (parte 1)

10.11.2014 | Thiago Florêncio | Artigos

a.

Este trabalho se propõe ao exercício de compreender o caráter ambivalente da inserção do corpo negro e africano na produção estética de Glauber Rocha, sobretudo em dois de seus filmes que, em períodos e territórios distintos, lidam com a experiência direta de contato da câmera cinematográfica com a presença negro-africana. Os dois filmes em questão, Barravento (1962) e O leão de sete cabeças (1972), marcam dois momentos inaugurais de Glauber: o primeiro por se tratar de seu primeiro longa- metragem; o segundo por se tratar de sua primeira película produzida no...  leia mais>>

deixe os seus comentários

CINEMA NEGRO – sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 2)

21.10.2014 | Maíra Zenun | Artigos



3. A quem interessa um cinema negro?

O cinema é, sem sombra de dúvidas, um tipo de saber social. Ao ser tratado pela sociologia como objeto de estudo, é necessário que antes ele seja localizado, contextualizado e discutido, a partir da sua elaboração. Assim como qualquer outra forma de conhecimento. Inclusive por suas características mais primordiais, o cinema (áudio + visual) revela o quanto sua produção é resultado de múltiplas práticas políticas e culturais. Por ser uma arte-tecnológica, temporal, é necessário que se observe, simultaneamente, técnica/estrutura e agentes envolvidos. Outro fator importante: a narrativa cinematográfica é resultado de...  leia mais>>

deixe os seus comentários

CINEMA NEGRO - Sobre uma categoria de análise para a sociologia das relações raciais (parte 1)

13.10.2014 | Maíra Zenun | Artigos

1. Apresentação

 

« São cada vez mais numerosos os filmes que trazem a sua história (de origem africana) para o ecrã. Todos esses realizadores transcendem a noção de estado-nação e os constrangimentos da etnicidade e das suas particularidades. Criam um espaço de diálogo e de definição de uma identidade negra híbrida.» (DIAKHATÉ, 2011: 122).

Pensando nas formas de resistência que as populações negras, tanto da África quanto dos territórios diaspóricos, têm procurado organizar desde o início do século XX – como os movimentos e conceitos da Harlem Renaissance, da negritude, do pan-africanismo, do...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Por um cinema africano no feminino (III): “Um foco sobre as Mulheres Burkinabês no Cinema"*

07.07.2014 | Beti Ellerson | Artigos, FESPACO, Festivais

Dando seqüência às publicações que visam divulgar a produção e a participação de mulheres africanas no cinema, o FICINE traz este post escrito pela diretora e pesquisadora Beti Ellerson. O texto foi publicado originalmente em African Women in Cinema Blog, um espaço criado para a discussão de diversos assuntos relacionados à participação das mulheres africanas no cinema que faz parte do Centre for the Study and Research of African Women in Cinema. Boa leitura!

 

“Desde início da história do cinema em Burkina Faso, as mulheres desempenharam um papel proeminente. Ouagadougou, Burkina...  leia mais>>

deixe os seus comentários

No país dos homens íntegros

05.03.2014 | Janaína Damaceno | Artigos

Em 1984, a República do Alto Volta foi rebatizada pelo seu presidente Thomas Sankara - uma das maiores lideranças africanas, comparado na América Latina à figura de Che Guevara - como Burkina Faso ou o país dos homens íntegros, seu significado em morê e dioula, duas das principais línguas do país.  O "País dos homens íntegros", tem como capital a cidade de Ouagadougou que significa "respeito aos mais velhos". (Chore!)  Ouaga (Uagá) é uma cidade de mais de 1,5 milhões de habitantes, extremamente agitada como toda metrópole e com uma vida cultural bastante intensa. Se você...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Ciné Guimbi: cinema e resistência em Burkina Faso

25.02.2014 | Janaína Oliveira | Artigos, FESPACO, Salas de Cinema

Não é só no Brasil que espaços dedicados à exibição de filmes são fechados e transformados em igrejas, estacionamentos e shoppings. Em Burkina Faso, assim como em outros países da África, este triste processo também anda amplamente em curso.

Burkina Faso, país situado no centro-oeste africano e pouco conhecido dos brasileiros, é uma referência quando falamos em cinema africano. Acontece em sua capital o maior festival do continente, o FESPACO (Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ougadougou). É também terra natal de cineastas renomados (Gaston Kaboré, Dany Kouyaté, Moustapha Dao, Idrissa Ouedraogo só...  leia mais>>

deixe os seus comentários

7º Festival Lagunimages (2013) – Benim: cinema, culturas urbanas e o Brasil (Parte 2)

17.02.2014 | Emi Koide | Artigos, Festivais

Em sua 7ª. edição, o Festival Lagunimages (Festival internacional de filmes, televisão e documentário do Benim) dirigido por Noudeou Noëlie Houngnihin, teve o Brasil como país convidado. Na programação de filmes brasileiros destacaram-se produções que mostram as relações e os encontros entre o Brasil e o continente africano como “Pedra da Memória” (2011) de Renata Amaral e “Ori” (1989) de Raquel Gerber. Interessante notar que a mostra brasileira foi marcada por estes filmes de realizadoras mulheres num festival impulsionado pela determinação de outras duas mulheres: Christianne Chabi Kao e Noudéou Noélie Houngnihin. O primeiro foi escolhido como filme de...  leia mais>>

deixe os seus comentários

7º Festival Lagunimages (2013) – Benim: cinema, culturas urbanas e o Brasil (Parte 1)

10.02.2014 | Emi Koide | Artigos

O Festival Lagunimages – « Festival Internacional de Filmes, Televisão e Documentário do Benim” – foi criado em 2000 pela cineasta belgo-congolesa Monique Mbeka Phoba. Desde sua primeira edição, o festival bianual se afirmou como um evento em que os documentários de realizadores africanos têm destaque especial. Trata-se também do primeiro festival deste gênero criado no Benim. Em seu formato, há ênfase à produção de filmes do próprio continente africano, sendo que parte da programação responde a um tema eleito, além de incluir também parte da filmografia de um país convidado. Em 2007, após a partida...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Nada a perder ou a fotografia de Rotimi Fani-Kayodé (parte 2)

03.02.2014 | Janaína Damaceno | Artigos

Esta é uma tradução livre de Traces of Ecstasy, uma manifesto do fotógrafo Anglo-Yorubá Rotimi Fani-Kayodé, publicado em 1987, quando o autor contava com 32 anos. Você encontra a primeira parte da tradução aqui.

TRAÇOS DE ÊXTASE

"Uma consciência histórica têm sido de fundamental importância no desenvolvimento de minha criatividade. A história africana e dos negros têm sido constantemente distorcida. Mesmo na África, minha educação foi dada em inglês, em escolas católicas, como se a língua e a cultura do meu povo, os Yorubá, fossem inadequadas para o desenvolvimento saudável dos...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Nada a perder ou a fotografia de Rotimi Fani-Kayodé (parte 1)

27.01.2014 | Janaína Damaceno | Artigos

"Homens negros do Terceiro Mundo ainda não revelaram, nem para seu próprio povo, nem para o Ocidente um fato chocante: eles podem desejar um ao outro." Rotimi Fani-Kayodé.

Faz um tempo que eu queria escrever um post sobre o Rotimi Fani-Kayodé, um dos meus fotógrafos prediletos. E num momento em que ser gay tornou-se crime na Nigéria, acho que lembrar de Kayodé vem muito a calhar. Ele nasceu em 1955, em Lagos, de uma família bastante poderosa. Basta lembrar que seu pai, o advogadoVictor Fani-Kayode "Fany Power", uma importante liderança Yorubá,  foi quem apresentou à Inglaterra...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Um ano sem Zózimo Bulbul

24.01.2014 | Janaína Oliveira | Artigos

Em 24 de janeiro de 2013, faleceu Zózimo Bulbul, o grande símbolo do Cinema Negro no Brasil.

O FICINE tem em Bulbul uma fonte de inspiração. Por este motivo, criamos aqui em nossa página um espaço permanente dedicado à obra de Bulbul. Não só como homenagem ao mestre, mas também como forma de contribuir para o fim da invisibilidade que infelizmente marca os feitos dos negros e negras na história do Brasil, sobretudo quando falamos de cinema.

Leia  a seguir  "Zózimo Bulbul e o Cinema Negro",  texto que você encontra na sessão...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Cinema Negro e Pesquisa Acadêmica

20.01.2014 | Janaína Damaceno | Artigos

Quando pensamos em criar o Ficine, uma de nossas preocupações era realizar um levantamento acerca da produção cinematográfica e acadêmica sobre o cinema negro e o negro no cinema brasileiro, pois não havia esse levantamento sistematizado em nenhum local. Percebemos, logo de cara, que desde 2000 vem crescendo o número de pesquisadores - sobretudo no que se refere ao cinema africano - a biografia de atores negros, a realização de mostras e festivais e o número de cineastas negros, embora esse montante ainda seja muito inferior ao desejado. Este aumento decorre, sobretudo, da formação de grupos de...  leia mais>>

deixe os seus comentários

Destaques

Espaço homenagem

Ficine Educação

Ficine Docs